Volkswagen aprova plano para despedir mais 50 mil trabalhadores

O conselho de supervisão do grupo Volkswagen aprovou, por unanimidade, um plano de reestruturação que prevê a eliminação de aproximadamente 50 mil postos de trabalho em todo o mundo até ao final da década, o dobro do previsto num plano anterior.

A decisão foi anunciada na quinta-feira após uma reunião do comité executivo do conselho, e antes da reunião plenária do órgão de supervisão do grupo agendada para esta sexta-feira.

A maior fabricante automóvel da Europa já tinha a intenção de cortar 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030, principalmente na sua principal marca Volkswagen.

Um corte total de 100 mil postos de trabalho representaria aproximadamente 15% da força de trabalho do grupo.

"Perante a crescente pressão competitiva global, as mudanças nos padrões de procura e as transformações tecnológicas na indústria automóvel, é essencial um ajuste significativo na capacidade de produção para reflectir a realidade económica", explica a construtora no comunicado avançado pela agência Lusa.

Produção a mais

O conselho de supervisão, composto por um número igual de representantes dos funcionários e dos accionistas, reconheceu "a existência de uma capacidade excedentária de 500 mil veículos na Europa".

Assinalou ainda o facto de "nenhuma carga de trabalho de produção futura competitiva, distribuída entre 2031 e 2034, poder ser garantida actualmente" para quatro fábricas alemãs ameaçadas de encerramento.

Para as unidades fabris de Emden, Zwickau, Hanover e Neckarsulm "estão a ser explorados usos alternativos", afirma o grupo.

Tal como a restante indústria automóvel alemã, a Volkswagen sofre de fraca procura para os seus modelos, duma transição mais lenta do que o esperado para os veículos eléctricos, e da crescente concorrência das marcas chinesas, factores que afectam as suas vendas e rentabilidade.

"É importante que o conselho (da Volkswagen) tenha agora a base necessária para enfrentar as grandes tarefas que temos pela frente. Isto inclui explicitamente o desenvolvimento de cenários futuros para todas as unidades", comentou Christiane Benner, vice-presidente do conselho de supervisão e primeira presidente do sindicato IG Metall, segundo um comunicado de imprensa.

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